A indústria farmacêutica e os USA exportam as suas loucuras…

A quinta versão do Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais (DSM-V) irá ser publicado em 2013. A lista das doenças mentais, desta “biblia” da psiquiatria, tem vindo a ser aumentada pouco a pouco, ao ponto que hoje em dia, seguindos estes critérios, metade da população está mentalmente doente.

Patrocinada pela indústria farmacêutica, desejosa que toda gente tome medicamentos, são a próprias emoções humanas “normais” que estão a ser tidas como patológicas.

Alguns exemplos de “loucuras”:

Gosta de sexo? Talvez sofra de “hipersexualidade”. O seu fillho tem acessos de raiva três ou mais vezes por semana? Então sofre de “grave desregulamento do humor”. Gosta de beber café? Cuidado porque talvez sofra de “adição”.

Também tem a possibilidade de prever se o seu filho irá sofrer de uma qualquer alteração psiquiatrica na idade adulta, através do “sindrome do risco psicótico”, isto quando estudos mostram que 70% dos adolescentes qualificados de risco, não desenvolvem qualquer alteração na idade adulta.

Em contrapartida aparece o “transtorno parafílico coercivo” que afecta as pessoas que se sentem atraídas ou procuram a estimulação sexual forçando a relação sexual em três ou mais pessoas sem o seu consentimento. Em tempos, isto chamava-se violação! Esta mistura entre as categorias jurídicas e o diagnóstico psiquiátrico não parece muito saudável. De sublinhar que, além da curiosidade do número de pessoas aqui requerido, a parafilia só por si não necessita de tratamento enquanto que o facto de se acrescentar o termo “transtorno” já faz com que o necessite.

Na altura em que os homosexuais já conseguiram sair da lista de doenças mentais, e em que os assexuados estão prestes a sair, os hipersexuais estão quase a entrar.

Os problemas que se colocam aqui é a necessidade de medicalizar as emoções e de saber quem decide do limite entre doença e normalidade.

Com mais de 300 doenças no antigo DSM (IV), calcula-se que com tais critérios 50% da população ocidental sofre de uma qualquer doença psiquiátrica. Este novo DSM (V) vai acrescentar ainda mais doenças. Um dia, vamos chegar ao ponto de ter de tratar a agora minoria da população antigamente tida como “normal”.

O ideal, era sermos todos “loucos”.

Tudo isto não é inocente. O DSM é editado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) e os estudos estão a cargo do American Psychiatric Institute for Research and Education (APIRE) dependente da APA. O financiamento desse instituto é feito pela indústria farmacêutica como a Jansen, Eli Lilly, Astra Zeneca, Pfizer, Merck, … os mesmo laboratórios que mais tarde vão comercializar os medicamentos com vista ao tratamento de todas estas alterações psiquiátricas.

O próprio autor principal do DSM, nos últimos três anos recebeu dinheiro de 13 dessas empresas. 95 dos 170 especialilstas que elaboraram o DSM-IV tinham ligações com vários laboratórios farmacêuticos e 100% dos especialistas que chefiavam os grupos de trabalho referentes a “alterações do humor” e “alterações psicóticas” tinham ligações financeiras com essas mesmas firmas.

Justamente são essas patologias que mais necessitam de psicotropos e antipsicóticos antigindo as vendas dos primeiros 20 mil milhões de Dólares anuais e os segundos 15 mil milhões de Dólares. Quanto maior for a lista de doenças consideradas patológicas maior serão os benefícios.

Fonte: Pharmacritique